Famílias agricultoras participam de curso com o tema Agroecologia

15 famílias residentes nos municípios de Pedro II e Milton Brandão estão sendo beneficiadas pelo projeto de inclusão produtiva, Quintais Agroecológicos, com o apoio do Fundo Estadual de Combate à Pobreza – FECOP, através da Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania do Estado do Piauí – SASC-PI. Entre as atividades do projeto foi realizado um curso com o tema: Princípios da Agroecologia que aconteceu nos dias 29 e 30 de setembro na Ecoescola Thomas a Kempis. A atividade faz parte do plano de trabalho que segue até os primeiros meses de 2023.

O projeto é executado pelo Centro de Formação Mandacaru e tem como objetivo a implantação de quintais produtivos através de sistemas agroecológicos com vista à inclusão produtiva das famílias.

Durante o curso as famílias puderam receber orientações de como melhor produzir na realidade do Semiárido Piauiense e também como melhor aproveitar as riquezas em nutrientes que o solo oferece. Dessa forma, possibilita a produção de forma agroecológica. No curso foi possível visitar uma área nativa preservada pela escola, onde os participantes puderam debater toda a diversidade das plantas e dos pequenos animais. Ingredientes valiosos para a manutenção da biodiversidade e equilíbrio natural do ecossistema. As famílias também puderam ver de perto o modelo de produção nas áreas da Ecoescola, um lugar mantido pelo Centro de Formação Mandacaru e cultivado pelos alunos sob o acompanhamento da equipe técnica da escola.

Segundo o técnico Dejavan Pereira do Centro de Formação Mandacaru, essas visitas nas áreas são importantes para que as famílias compreendam que um ser vivo depende do outro para manter o equilíbrio e a produção se manter sustentável.

O foco central das ações do projeto é fortalecer e ampliar a produção agroecológica de frutas, verduras, legumes e hortaliças nos quintais produtivos dessas famílias agricultoras. “Antes de tudo precisamos pensar e trabalhar na segurança alimentar dessas famílias para depois planejar e buscar fortalecer também a comercialização, e assim gerar renda e melhorar a vida dessas famílias”. Disse o técnico Francisco Uchoa, integrante da Coordenação do Mandacaru.

 Parte dessas famílias atendidas pelo projeto já possui uma rica diversidade de furtas em seus quintais, porém pouco utilizada, por isso é estratégico o apoio do projeto tanto em infraestrutura, planejamento, formação e assessoria técnica para que cada vez mais, bons frutos cheguem até a mesa dessas famílias.

Família produz unida e gera renda com cultivo agroecológico

Frutas e verduras sem agrotóxicos

“Aqui não usamos nenhum agrotóxico em nossas hortaliças e fruteiras”. Diz muito empolgada a agricultora Vanusa na comunidade Pequis, município de Pedro II. Local onde a família Altino produz no quintal agroecológico Cercadin, nome dado pelos pais da família há muitos anos atrás e que permanece até hoje com uma grande variedade de frutas e verduras. Uma riqueza em diversidade e produtos saudáveis como banana, laranja, mamão, limão, milho, alface, cenoura, manga e tatas outras hortaliças.

Há quatro anos a família tem a assessoria técnica do Centro de Formação Mandacaru. Nesse período foram melhoradas a estrutura de produção, a diversidade de produtos, a economia no uso da água e o melhor, o aumento no consumo familiar em produtos saudáveis e a ampliação na geração de renda por conta dos produtos vendidos na comunidade e na cidade de Pedro II. A família Altino é uma das famílias participantes da Feira Agroecológica dos Saberes e Sabores que acontece toda terça feira na Praça do Mutirão em Pedro II.

Vanusa relata também que quando necessário, a família utiliza defensivos naturais, o que apenas repele e não mata os pequenos insetos ou abelhas, tão necessários no equilíbrio da fauna e flora do lugar.

Semanalmente, a família consegue retirar o sustento alimentar, além de comercializar os produtos na comunidade e colocar os demais a venda na feira agroecológica. Um planejamento que deu certo e só tem gerado saúde e riquezas através do Sítio Agroecológico Cercadin.

Produção de batata doce gera renda para família agricultora

Hora da colheita

O Centro de Formação Mandacaru tem dentro de sua missão a convivência com o Semiárido, e essa convivência passa necessariamente pela educação ambiental e formal, pela produção agroecológica, pela as ações de sustentabilidade, pelo bem viver, além de outros temas e campos. Um exemplo bem prático vem da família de seu Antonio José da comunidade São João, uma família que já teve seus filhos estudando na Ecoescola Thomas a Kempis e hoje colhe bons frutos. Lá, em sua propriedade, a família cultiva batata doce há alguns anos. Uma atividade que tem trazido uma alimentação saudável, já que a batata doce está entre as leguminosas mais completas em nutrientes para o corpo humano, além de sua produção ser 100% agroecológica.

Em plena colheita nesse período que vai de maio até julho, o agricultor Antonio José relata com grande alegria a produção de 2022. Conta que esse ano tem uma das maiores colheitas já registrada na propriedade da família. “O inverno esse ano foi bom, o que facilitou nossa produção ser uma das maiores aqui”, afirma o agricultor. Com a venda de batatas, a família estar conseguindo uma boa renda financeira. Antonio José disse bem animado que já colheu esse ano mais de 400 quilos de batata doce. O que para a agricultura familiar é de fato uma quantidade grande para alimentar a família, por isso é possível vender o excedente.

Um outro dado importante com a produção de batata doce que a família cultiva é a possibilidade real de outras famílias da comunidade e região terem acesso a um produto saudável para sua alimentação. Por exemplo, a merenda para os alunos da Ecoescola desta quinta feira, (23) foi batata doce adquirida da produção na família da comunidade São João que um dia teve seus filhos estudando nessa unidade escolar.

A família de Antonio José traz também um exemplo bem prático e já trabalhado pela equipe do Centro Mandacaru, que é no tocante a segurança alimentar. Se a família produz de forma agroecológica a diversidade de frutas e legumes disponíveis dentro do seu quintal, estará gerando ali uma alimentação saudável, sustentável, produzindo soberania alimentar e em muitos casos a geração de renda familiar.

Agricultores celebram Festa da Colheita com muita fartura

Celebração e partilha de alimentos

O Assentamento Pedra Branca localizado a 12 km de Pedro II, na região do São Braz estar celebrando sua padroeira Nossa Senhora de Fátima, festa que teve início dia 03 de maio e segue até o dia 13. A comunidade celebra também dentro dessa programação a Festa da Colheita, um momento em que as famílias agricultoras agradecem a Deus o alimento colhido durante o inverno na região, legumes que vão trazer segurança alimentar para sua família por um certo período do ano e quando o inverno é bom, como eles mesmo dizem “o legume vai dar pra alcançar o próximo inverno”.

E este ano a celebração da Festa da Colheita aconteceu na noite desta sábado (07), durante e após a celebração da novena presidida pela Adeodata dos Anjos e Welinton Carvalho do Centro de Formação Mandacaru.

As lideranças da comunidade com o apoio do Centro de Formação Mandacaru, mobilizaram as famílias da comunidade e convidados para realizarem após a novena, uma grande partilha. E assim aconteceu cada família convidada trouxe um pouco de alimento para partilhar, o que de fato se tornou numa festa de fartura. Um grande jantar coletivo foi realizado durante o movimento social após a celebração. No cardápio, alimentos da roça como abobora, macaxeira, bolos e uma deliciosa galinha caipira com arroz.

A Celebração da Colheita acontece na comunidade há 05 anos, porém há dois anos não era realizada por conta da pandemia. Este ano voltou com toda a alegria da comunidade e convidados. Uma festa social organizada pela comunidade com o apoio do Centro de Formação Mandacaru.

Famílias agricultoras participam de intercâmbio no campo da agroecologia

Foto: Neto Santos

O sítio agroecológico da família Vanderlando e Fátima na comunidade Buriti Grande dos Aquiles a 11 km de Pedro II recebeu um grupo de famílias para o intercâmbio dos saberes e sabores onde a pauta principal foram a produção e comercialização dos produtos agroecológicos advindos dos quintais produtivos dessas famílias.

O evento foi organizado pelo Centro de Formação Mandacaru e realizado nesta quarta feira, (20) onde contou com 19 participantes. Dessas, três pessoas pertencem as famílias cadastradas na Feira Agroecológica que acontece semanalmente em Pedro II, outras cinco famílias eram do município de Milton Brandão que produzem de forma agroecológica e também comercializam em suas comunidades. Os demais participantes eram parceiros do Sindicato Rural de Milton Brandão, como também algumas pessoas convidadas.

O intercâmbio teve como objetivo unir essas famílias para que pudessem partilhar suas experiências. Elas também tiveram a oportunidade de conhecer a forma de trabalho da família no sítio e ainda a diversidade em frutas e verduras ali existentes.

O evento teve início com uma mística em oração e as boas vindas da família. Logo após, os participantes fizeram um passeio nas áreas de produção do sítio. Na segunda parte do evento foi realizada uma roda de conversa com a partilha de saberes sobre os desafios e vitórias nesse campo de produção e comercialização agroecológicos.

“Momentos como esse me fortalece e me dá a certeza de que estamos fazendo a coisa certa que é produzir o alimento saudável para minha família e também poder vender para gerar renda”. Disse a participante e agricultora Ana Lúcia.

Por falar em alimentação saudável, o intercâmbio encerrou com um almoço só com alimentos saudáveis e produzidos na agricultura familiar. No cardápio: feijão, arroz, galinha caipira, o suco e as verduras, todas cultivadas sem agrotóxicos e servidos com um sabor muito especial.