O céu ganha uma estrela chamada Dr. Josef Reuter

O Centro de Formação Mandacaru de Pedro II estar em silêncio e com um profundo sentimento de pesar pela partida de Padre Josef Reuter ocorrido nesta terça feira dia 13 de julho de 2021 na cidade de Kempen Alemanha. Padre José foi uma das principais pessoas a motivar, organizar e promover uma grande campanha na sua paróquia para a construção de uma escola diferenciada e direcionada as crianças e jovens filhos e filhas de famílias agricultoras de Pedro II, a Ecoescola Thomas a Kempis. Quando esteve em visita a Pedro II no ano de 1999 com uma equipe de sua paróquia deu-se início a construção de um grande sonho que vinha a se tornar realidade dois anos depois, a fundação da Ecoescola. Por essa e tantas outras ações na sua missão cristã, toda a equipe Mandacaru será eternamente grata a Padre José. Se por um lado todo o Mandacaru assim como a Ecoescola estar triste, por outro lado essa mesma equipe tem a certeza de que o céu recebe uma estrela chamada Dr. Josef Reuter. A ele nossa eterna gratidão.

Conhecendo um pouco mais de Josef Reuter

Ele nasceu em 14 de setembro de 1936 em Venwegen, perto de Stolberg, e foi ordenado sacerdote em 9 de março de 1963 na Catedral de Aachen. Por 27 anos, ele moldou a história da igreja de Kempen e deixou vestígios duradouros. Como pastor, ele foi um parceiro de conversa muito procurado, com seu conhecimento bíblico enriqueceu muitos círculos bíblicos e com um amplo coração ecumênico encorajou as denominações cristãs da cidade a se unirem.  

Herdeiro de Thomas von Kempen

O legado espiritual do místico Thomas von Kempen, que tornou sua cidade natal conhecida em todo o mundo com seus escritos, foi legado ao Dr. Para abrir Reuter novamente para a vida cotidiana das pessoas e torná-la fértil. Com a fundação da Associação Thomas, Josef Reuter procurou e encontrou aliados que gostariam de preservar este legado espiritual para o futuro. Reuter também desempenhou um papel decisivo na fundação dos Arquivos Thomas, que reúne as obras do monge em toda a sua diversidade.
O seu conhecimento histórico bem fundamentado e a sua curiosidade pelo inexplorado revelaram-se uma bênção para a cidade de Kempen e para a Propsteigemeinde. Com a sua própria meticulosidade e um sentido pronunciado de ordem, ele deu ao arquivo do reitor, que é um dos arquivos paroquiais mais importantes do Baixo Reno, uma estrutura e usabilidade novamente. Os frutos deste trabalho são inúmeras pequenas fontes que tratam de forma clara e informativa com a história das instalações e edifícios de Kempen. 

Conhecedor de arte cristã 

Como conhecedor da arte cristã, ele estava particularmente empenhado em manter e cuidar da igreja do reitor e de suas numerosas obras de arte. Durante a reforma geral da igreja, ele garantiu um conceito estético de sucesso que ainda hoje impressiona os numerosos visitantes. Ao atrair generosas doações, soube também intensificar a ligação entre a população de Kempen “e a sua catedral”. Ele também esteve envolvido no redesenho do Christ-König-Kirche. Por meio de inúmeras representações narrativas e pictóricas, a fé cristã se expressa de forma contemporânea em quadros e esculturas. A abordagem didática de Reuter foi expressa aqui: como pedagogo, de 1967 a 1976 teve a Episcopal Study Home St.
Em estreita cooperação com a cidade, Reuter conseguiu restaurar a Kempen Paterskirche, que não era utilizada quando ele assumiu seu cargo, no que é hoje: o local de exposições do Museu de Arte Sacra do Baixo Reno e um espaço popular para concertos exigentes .

Co-Presidente da Fundação Hospitalar
Durante seu mandato, como co-presidente da Fundação Hospitalar, ele dirigiu o destino do hospital em tempos às vezes tempestuosos, testemunhou a expansão do mosteiro de von Broichhausen para incluir a casa de Thomas e a nova construção do mosteiro de São Pedro. O conselho municipal homenageou seus grandes serviços à cidade de Kempen com a entrega do prêmio do cidadão.
Seu lema de vida se reflete em seu primeiro versículo dos Coríntios (2 Cor 4, 5): “Não nos proclamamos, mas a Cristo Jesus como Senhor, mas a nós como servos por amor de Jesus.” Os necessitados e os pobres, Josef Reuter repetidamente colocado no centro da ação cristã. Muita coisa aconteceu em segredo e atendendo às necessidades de indivíduos ou famílias. A recepção e integração dos refugiados da Europa de Leste e do Vietname, bem como o alojamento das pessoas sem abrigo, foi o foco do trabalho da Caritas que patrocinou. Projetos de desenvolvimento na Índia e no Brasil garantiram uma ajuda mundial que manteve um rosto humano. Por último, mas não menos importante, o desenvolvimento do St. Annenhof, Olhando para trás em uma vida plena

Após a sua reforma, viveu na sua cidade natal de Venwegen durante sete anos, onde trabalhou como subsidiário na associação paroquial. Em 2010, ele voltou para sua amada Kempen, celebrou seu jubileu de ouro como padre aqui com muitos companheiros em 2013 e moldou sua velhice. Agora com mais tempo para o hobby de jardinagem, viagens ou leitura. Ele sempre ficava feliz em ajudar nos serviços sacerdotais enquanto suas forças permitiam. Em 13 de julho, ele morreu confiando no céu como Deus lhe deu aos 84 anos. Até o fim, ele estava em plena posse de seus poderes intelectuais e sempre olhava para trás com seus visitantes em sua vida plena. “Eu sou grato por uma vida linda. Muitas pessoas queridas me acompanharam. “Foi o que ele me disse, seu sucessor, há poucos dias. atravessar de. Pude responder a ele – provavelmente também em nome de muitos de Kempen e de seu grande círculo de amigos em toda a diocese de Aachen – sim, e nós também lhe agradecemos, querido Josef, por tanto e por seu acompanhamento em nossas vidas.

Setor de Agricultura Familiar inicia atividades com famílias em Milton Brandão

Numa parceria com o Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais do município de Milton Brandão a 35 km de Pedro II, o Centro de Formação Mandacaru de Pedro II através do setor de apoio da agricultura familiar irá a partir deste ano, (2021) prestar assessoria técnica naquele município. Serão atendidas nesse primeiro momento famílias que cultivam hortaliças e frutas de forma agroecológica em seus quintais produtivos. Algumas dessas famílias já comercializam suas hortaliças nas comunidades vizinhas, por isso elas também receberão cursos e oficinas sobre produção e comercialização dos produtos da agricultura familiar.

Os trabalhos de campo já deveriam ter iniciados em março deste ano, porém por conta da pandemia, somente agora estão sendo realizadas as primeiras visitas para o planejamento de propriedade. A ideia inicial do Mandacaru é identificar o potencial, limitações e particularidades de cada quintal produtivo para somente a partir desse momento, as atividades sejam planejadas com a família.

Para o Sindicato Rural de Milton Brandão essa é uma excelente oportunidade das famílias melhorarem sua produção e comercialização de produtos saudáveis. Oportunidades boa desses produtos agroecológicos chegarem até as famílias da cidade como também de outras comunidades.

Nota de pesar

O Centro de Formação Mandacaru de Pedro II vem por meio desta nota prestar sua solidariedade, força e orações a nossa Presidenta Elizabete Carreiro e familiares pela perda de seu irmão Evaldo Bezerra ocorrido na manhã desta sexta feira (28). Perder um ente querido traz sempre a certeza de uma dor sem precedentes, porém a certeza de que Deus é a fortaleza de todos os momentos difíceis nos segura e nos suporta para manter viva a esperança da caminhada. Que Deus conforte cada membro familiar e que Evaldo descanse em Paz.

Família Mandacaru

CEBI realiza assembleia da região norte (Piauí, Maranhão e Pará)

O CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) da Região Norte, Estados do Piauí, Maranhão e Pará, esteve reunido em Assembleia no os dias 14, 15 e 16 de maio de 2021, em formato digital. O tema em foco deste evento foi: Construindo caminhos de transformação com as periferias, e teve como texto bíblico iluminador retirado do evangelho de Lucas 7,11-16. A assembleia teve também a reflexão sobre as periferias do tempo de Jesus e as de hoje, tendo como assessoria o Diretor Geral do CEBI Nacional Rafael Rodrigues da Silva. Momento de avaliação do Triênio (2018-2020) e discernir os passos para o triênio seguinte (2021-2023). Ouvindo os gritos e gemidos que saem de nossas periferias e interpelados/as pela Palavra de Deus, o CEBI da Região Norte, vem procurando ser cada vez mais sinal de libertação e de construção de caminhos rumo a uma nova transformação das realidades das periferias. Neste sentido, a Região refletiu e construiu um eixo de ação em comum com o tema: Cuidado com a casa comum e a construção do bem viver. Na ocasião os membros da assembleia fizeram a acolhida das novas coordenações dos estados e o representante e a suplente da Região Norte que irá compor o conselho nacional do CEBI. A assembleia, também, contou com momentos de místicas e celebrações motivando a espiritualidade de um Deus encarnado no meio de seu povo e do povo de Deus que caminha de mãos dadas e em dialogicidade e amorosidade na construção do bom viver protegendo nossa casa comum.

Equipe do Mandacaru tem artigo publicado na revista do CEBI nacional

“O que não podemos deixar de falar pelo caminho…” (Mt 2,1-12)

                                                                                   “Porque avistamos sua estrela no oriente e aqui vimos para lhe prestar homenagem” (Mt 2,2b)

O nascimento de Jesus abala as estruturas de sua época, tanto religiosa quanto política. O episódio narrado por Mateus 2,1-12 tem como centro o poder e a realeza. Podemos perceber que o caminho trilhado pelos magos, primeiramente, os leva a casa de Herodes, o Grande, rei da Judeia, na época. A visita o faz tremer em suas bases, porém, astuto como era, não demonstra aspecto de assombro. Ele arquiteta um plano para eliminar o menino, motivo de ameaça ao seu poder, pois a criança é chamado de “Rei dos Judeus” pelos visitantes.

Os complacentes do rei, “toda Jerusalém” (Mt 2,3b), também se colocam como opositores ao novo, o recém-nascido, esquecendo o anúncio profético da promessa de libertação, revelando a força maligna da corrupção e do poder que cega. Ora, em Jerusalém, a vida social estava impregnada pela força embriagante da luxuria, do descaso, da maldade passada de império a império. Era a vez de Herodes Antípater, o Grande, procurador de Roma na palestina. Ele utilizava de todos os meios para aumentar sua riqueza e garantir a manutenção do seu poder e realeza. Era um homem violento e perseguia qualquer grupo ou pessoa que o ameaçasse, até mesmo sua própria família. Com isso, quem queria se dá bem numa conjuntura dessas, tinha de ser submisso ao rei.

A revelação dos magos causa indignação ao rei. A estrela que orientou os magos pelo caminho e a indagação sobre o recém-nascido, o “Rei dos Judeus”, soam como um prenúncio da eminente desestruturação do império. Inseguro, violento, nervoso e invejoso, Herodes jamais permitiria ser retirado do poder por um líder judeu. Então, estrategicamente, lançou o plano para também homenagear o menino. Que planos estratégicos são traçados todos os dias, disfarçadamente, com objetivos de eliminar a vida? Basta um exemplo estarrecedor que pode eliminar grande parte do planeta, o desmatamento e exploração de toda a vida na Amazônia. Que caminhos estão se fazendo para salvar as vidas que estão se esvaindo devido à devastação desse espaço sagrado? 

O caminha que leva até Belém, é impulsionado pelo desejo de adorar o recém-nascido, o “Rei dos Judeus”. Nesse caminho não se pode deixar de falar sobre a espera do cumprimento da promessa. Que grupo esperançava o cumprimento dessa promessa? Eram os pobres, os Anawin de YAHWEH. Em Lucas os pobres eram os injustiçados e excluídos. Ele vai beber na fonte do nascimento de Cristo para reavivar a mensagem da esperança, reunindo os pobres através de José e Maria, os pastores, Zacarias e Isabel e seus vizinhos, Simeão e a profetisa Ana. Junto com estes acrescenta os cegos, os presos, os oprimidos, sem terra, moradores de rua, os pedintes, mulheres e toda gente de boa vontade, mas tinham os seus direitos negados. Já Mateus define o caminho de Jesus como salvação, não restrita aos israelitas, mas oferecida também aos estrangeiros, os que seguiram à luz.

       “Eles, revendo a estrela alegraram-se imensamente” (Mt 2,10)

            A luz da estrela que guiou os magos é a manifestação da presença de Deus viva no meio desses pobres, os quais sofriam toda a sorte de exploração, doenças, os pesados fardos dos impostos para Roma e para o Templo, que gerava fome, pobreza, silêncio. No entanto, nesse contexto, agora veem a promessa sendo cumprida. “Pois, nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado: sobre seu ombro está o manto real, e ele se chama ‘conselheiro maravilhoso’, ‘Deus forte’, ‘Pai para sempre’, ‘Príncipe da paz’” (Is 9,5). Foi preciso um olhar de fora, do Oriente, de estrangeiros não inclusos na promessa, para alargar os horizontes e abrir novas fronteiras para animar o povo que estava pisoteado pela “bota do capataz”, que envolvia as vertes em sangue.

Nossos pés estão ensopados de sangue cada vez que, no caminho, assistimos as barbáries do genocídio sem escrúpulo, principalmente por questões racistas e o descaso para com os povos originários, mulheres sendo vitimadas pelo simples fato de ser mulher, as notícias sendo manipuladas em favor de grupos ou ideologias fascistas, o descaso com nossa casa comum e sua exploração exacerbada, os desvios de verbas destinadas à saúde para o combate às pandemias, entre outros problemas estruturais e sociais. Muitas vezes, ficamos sem ação, quase que compactuando com essas estruturas do mal. Precisamos de orientações, ter atitudes para acompanhar e apoiar manifestações já existentes. Precisamos ter jeito de corpo, de estratégias e, sobretudo, de momentos alegres no caminhar, para não desviar o rumo certo diante dessas atrocidades. Nesse caminho, os magos oferecem outras lições:

“Ao entrar na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11)

Os caminhos dos magos, até Belém, têm um sentimento profundo na história de Israel. Esse acontecimento quer florescer no povo a presença de Deus manifestada na pessoa de Jesus. Os caminhantes do oriente trazem ouro, incenso e mirra, proclamando a realeza de Javé, rei encarnado no meio dos pobres.

As ações realizadas pelos magos trazem um despertar para atitudes que poderão modificar todo um contexto da época. Entrar na casa de pobres, prostrar-se diante de pessoas insignificantes socialmente e homenageá-las com honrarias de rei era algo inimaginável.

A ação mais significativa nesta visita se concretiza no “abrir os cofres e oferecer presentes”. Ou abrir os cofres e oferecer os tesouros. Que olhar desperta essa atitude? De um lado temos o fechamento dos cofres por parte de uma ala pequena que tem o controle do capitalismo em si e a efervescência do mesmo para o consumimos compulsivo. Do outro lado, temos os cofres e presentes advindos do bem viver, brotando no meio das classes populares, das periferias, harmonizando atitudes de vivenciar melhor as relações, as culturas e as conquista passo a passo como canta o poeta Astúlio Nunes: Caminheiro, você sabe, não existe caminho. Passo a passo, pouco a pouco e o caminho se faz”. Pouco a pouco nos caminhos do bem viver foram se abrindo os cofres da releitura que nasce a partir da vida, contrária a intolerância e ao fundamentalismo, presenteando-nos com a abertura para a solidariedade, a conquista da terra, da água e de direitos, a convivência com as diferenças e a sensibilidade a uma espiritualidade da partilha, da criatividade e da festividade, fortalecendo a resistência ao capitalismo e suas estruturas de morte.

“avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho para a sua região” (Mt 2,12)

Os planos mundanos e os desígnios de Deus são contraditórios.  A volta por outro caminho faz refleti que, por conta do perigo. os magos fazem o retorno para casa sem ser avistados por Herodes, mostrando que quando há ameaças, armadilhas pelo caminho não podemos bater de frente se, no momento, não somos capazes de derrotá-las. Há momentos em que precisamos usar estratégias de combate sem afronta o inimigo. Precisamos estar em constante vigília e em harmonia com os planos de Deus para discernirmos os caminhos que oferecem ciladas. Como exemplo desse passo a passo trilhados nas caladas da noite trazemos a mobilização e organização de mulheres, LGBTQ+,  as candidaturas coletivas e as vitórias de negros, negras e indígenas nos municípios brasileiros, assumindo espaços em prefeituras e câmara de vereadores, neste ano de 2020 em que os partidos de direita e extrema direita intensificaram um derramamento de dinheiro na campanha política de candidatos que defenderão seus interesses.

Diante das perspectivas citadas aqui e de muitas outras, o nascimento de Jesus aponta para o trilhar de novos caminhos, na superação de todas as estruturas que oprimem, escravizam, empobrecem e matam.

Adeodata dos Anjos. Pedagoga, Antropóloga, Assessora do CEBI-PI, Diretora adjunta da Ecoescola Thomas a Kempis e Membro do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II.

Wellington Carvalho. Bacharel em Filosofia e Licenciando em História. Assessor e Membro da Coordenação do CEBI-PI e do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II

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