Equipe do Mandacaru tem artigo publicado na revista do CEBI nacional

“O que não podemos deixar de falar pelo caminho…” (Mt 2,1-12)

                                                                                   “Porque avistamos sua estrela no oriente e aqui vimos para lhe prestar homenagem” (Mt 2,2b)

O nascimento de Jesus abala as estruturas de sua época, tanto religiosa quanto política. O episódio narrado por Mateus 2,1-12 tem como centro o poder e a realeza. Podemos perceber que o caminho trilhado pelos magos, primeiramente, os leva a casa de Herodes, o Grande, rei da Judeia, na época. A visita o faz tremer em suas bases, porém, astuto como era, não demonstra aspecto de assombro. Ele arquiteta um plano para eliminar o menino, motivo de ameaça ao seu poder, pois a criança é chamado de “Rei dos Judeus” pelos visitantes.

Os complacentes do rei, “toda Jerusalém” (Mt 2,3b), também se colocam como opositores ao novo, o recém-nascido, esquecendo o anúncio profético da promessa de libertação, revelando a força maligna da corrupção e do poder que cega. Ora, em Jerusalém, a vida social estava impregnada pela força embriagante da luxuria, do descaso, da maldade passada de império a império. Era a vez de Herodes Antípater, o Grande, procurador de Roma na palestina. Ele utilizava de todos os meios para aumentar sua riqueza e garantir a manutenção do seu poder e realeza. Era um homem violento e perseguia qualquer grupo ou pessoa que o ameaçasse, até mesmo sua própria família. Com isso, quem queria se dá bem numa conjuntura dessas, tinha de ser submisso ao rei.

A revelação dos magos causa indignação ao rei. A estrela que orientou os magos pelo caminho e a indagação sobre o recém-nascido, o “Rei dos Judeus”, soam como um prenúncio da eminente desestruturação do império. Inseguro, violento, nervoso e invejoso, Herodes jamais permitiria ser retirado do poder por um líder judeu. Então, estrategicamente, lançou o plano para também homenagear o menino. Que planos estratégicos são traçados todos os dias, disfarçadamente, com objetivos de eliminar a vida? Basta um exemplo estarrecedor que pode eliminar grande parte do planeta, o desmatamento e exploração de toda a vida na Amazônia. Que caminhos estão se fazendo para salvar as vidas que estão se esvaindo devido à devastação desse espaço sagrado? 

O caminha que leva até Belém, é impulsionado pelo desejo de adorar o recém-nascido, o “Rei dos Judeus”. Nesse caminho não se pode deixar de falar sobre a espera do cumprimento da promessa. Que grupo esperançava o cumprimento dessa promessa? Eram os pobres, os Anawin de YAHWEH. Em Lucas os pobres eram os injustiçados e excluídos. Ele vai beber na fonte do nascimento de Cristo para reavivar a mensagem da esperança, reunindo os pobres através de José e Maria, os pastores, Zacarias e Isabel e seus vizinhos, Simeão e a profetisa Ana. Junto com estes acrescenta os cegos, os presos, os oprimidos, sem terra, moradores de rua, os pedintes, mulheres e toda gente de boa vontade, mas tinham os seus direitos negados. Já Mateus define o caminho de Jesus como salvação, não restrita aos israelitas, mas oferecida também aos estrangeiros, os que seguiram à luz.

       “Eles, revendo a estrela alegraram-se imensamente” (Mt 2,10)

            A luz da estrela que guiou os magos é a manifestação da presença de Deus viva no meio desses pobres, os quais sofriam toda a sorte de exploração, doenças, os pesados fardos dos impostos para Roma e para o Templo, que gerava fome, pobreza, silêncio. No entanto, nesse contexto, agora veem a promessa sendo cumprida. “Pois, nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado: sobre seu ombro está o manto real, e ele se chama ‘conselheiro maravilhoso’, ‘Deus forte’, ‘Pai para sempre’, ‘Príncipe da paz’” (Is 9,5). Foi preciso um olhar de fora, do Oriente, de estrangeiros não inclusos na promessa, para alargar os horizontes e abrir novas fronteiras para animar o povo que estava pisoteado pela “bota do capataz”, que envolvia as vertes em sangue.

Nossos pés estão ensopados de sangue cada vez que, no caminho, assistimos as barbáries do genocídio sem escrúpulo, principalmente por questões racistas e o descaso para com os povos originários, mulheres sendo vitimadas pelo simples fato de ser mulher, as notícias sendo manipuladas em favor de grupos ou ideologias fascistas, o descaso com nossa casa comum e sua exploração exacerbada, os desvios de verbas destinadas à saúde para o combate às pandemias, entre outros problemas estruturais e sociais. Muitas vezes, ficamos sem ação, quase que compactuando com essas estruturas do mal. Precisamos de orientações, ter atitudes para acompanhar e apoiar manifestações já existentes. Precisamos ter jeito de corpo, de estratégias e, sobretudo, de momentos alegres no caminhar, para não desviar o rumo certo diante dessas atrocidades. Nesse caminho, os magos oferecem outras lições:

“Ao entrar na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11)

Os caminhos dos magos, até Belém, têm um sentimento profundo na história de Israel. Esse acontecimento quer florescer no povo a presença de Deus manifestada na pessoa de Jesus. Os caminhantes do oriente trazem ouro, incenso e mirra, proclamando a realeza de Javé, rei encarnado no meio dos pobres.

As ações realizadas pelos magos trazem um despertar para atitudes que poderão modificar todo um contexto da época. Entrar na casa de pobres, prostrar-se diante de pessoas insignificantes socialmente e homenageá-las com honrarias de rei era algo inimaginável.

A ação mais significativa nesta visita se concretiza no “abrir os cofres e oferecer presentes”. Ou abrir os cofres e oferecer os tesouros. Que olhar desperta essa atitude? De um lado temos o fechamento dos cofres por parte de uma ala pequena que tem o controle do capitalismo em si e a efervescência do mesmo para o consumimos compulsivo. Do outro lado, temos os cofres e presentes advindos do bem viver, brotando no meio das classes populares, das periferias, harmonizando atitudes de vivenciar melhor as relações, as culturas e as conquista passo a passo como canta o poeta Astúlio Nunes: Caminheiro, você sabe, não existe caminho. Passo a passo, pouco a pouco e o caminho se faz”. Pouco a pouco nos caminhos do bem viver foram se abrindo os cofres da releitura que nasce a partir da vida, contrária a intolerância e ao fundamentalismo, presenteando-nos com a abertura para a solidariedade, a conquista da terra, da água e de direitos, a convivência com as diferenças e a sensibilidade a uma espiritualidade da partilha, da criatividade e da festividade, fortalecendo a resistência ao capitalismo e suas estruturas de morte.

“avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho para a sua região” (Mt 2,12)

Os planos mundanos e os desígnios de Deus são contraditórios.  A volta por outro caminho faz refleti que, por conta do perigo. os magos fazem o retorno para casa sem ser avistados por Herodes, mostrando que quando há ameaças, armadilhas pelo caminho não podemos bater de frente se, no momento, não somos capazes de derrotá-las. Há momentos em que precisamos usar estratégias de combate sem afronta o inimigo. Precisamos estar em constante vigília e em harmonia com os planos de Deus para discernirmos os caminhos que oferecem ciladas. Como exemplo desse passo a passo trilhados nas caladas da noite trazemos a mobilização e organização de mulheres, LGBTQ+,  as candidaturas coletivas e as vitórias de negros, negras e indígenas nos municípios brasileiros, assumindo espaços em prefeituras e câmara de vereadores, neste ano de 2020 em que os partidos de direita e extrema direita intensificaram um derramamento de dinheiro na campanha política de candidatos que defenderão seus interesses.

Diante das perspectivas citadas aqui e de muitas outras, o nascimento de Jesus aponta para o trilhar de novos caminhos, na superação de todas as estruturas que oprimem, escravizam, empobrecem e matam.

Adeodata dos Anjos. Pedagoga, Antropóloga, Assessora do CEBI-PI, Diretora adjunta da Ecoescola Thomas a Kempis e Membro do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II.

Wellington Carvalho. Bacharel em Filosofia e Licenciando em História. Assessor e Membro da Coordenação do CEBI-PI e do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II

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Organizações de Pedro II iniciam campanha em defesa da vida

Preocupadas com a situação em que se encontra o Brasil nesse momento quanto a ação devastadora da covid-19 que tem deixado o sistema de saúde em colapso, com hospitais sem vagas de leito. E mais preocupadas ainda com a quantidade de vidas perdidas diariamente, algumas organizações da sociedade civil de Pedro II uniram-se e lançam nessa quinta feira, (18) a “Campanha em Defesa da Vida”. Ela traz dois focos estratégicos de ação. O primeiro deles é sensibilizar a população a fazer a sua parte como usar máscara, fazer o distanciamento social e evitar aglomerações, ações simples capazes de causar grandes impactos positivos. O outro foco é cobrar das autoridades, principalmente local como Vereadores/as, Prefeitura e Ministério Público a fazerem cumprir os decretos estadual e municipal que visam a maior segurança da população.

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Produção em estufa é aplicada visando melhor produção agroecológica

A cada período chuvoso chega o desafio dos agricultores familiares continuarem produzindo algumas hortaliças agroecológicas sem perder quantidade nem qualidade. Quem cultiva principalmente a cebolinha e o coentro conhece bem essa história. Prova disso tem sido a queda na produção dessas hortaliças no período entre fevereiro e abril nessa região de Pedro II, período em que as chuvas costumam ser mais intensas, o chamado por esses lados de período do inverno. Pois bem, há dois anos a Ecoescola Thomas a Kempis vem trabalhando em sua área de produção um dos modelos de estufa visando sanar esse problema para os pequenos produtores. Uma estufa que tem em sua cobertura um plástico apropriado para esse objetivo. Ele retém a água da chuva, porém não retém toda a luz solar, o que facilita o desenvolvimento das plantas. O projeto tem o acompanhamento dos técnicos e dos alunos da escola.

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O Inverno será criador na região de Pedro II, afirmam profetas

Realizado no formato on line o XIII Encontro dos Profetas e Profetisas da Chuva de Pedro II Piauí, edição 2021 trouxe informações valiosas dos sábios agricultores e agricultoras que tem a habilidade de observar os sinais da natureza que indicam chuva. O evento foi realizado na tarde deste sábado (16) e durou três horas, com transmissão pelo facebook da Ecoescola Thomas a Kempis e Matões FM e também pelo Youtube da TV Nestante. Esse ano o encontro teve a participação de 17 profetas e profetisas, sendo quartoze de Pedro II e três de Piripiri.

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Família Agricultora é contemplada com horta sombreada

Com um quintal produtivo e uma boa área de plantação com hortaliças agroecológicas, a família de Vanderlando Monteiro e Fátima de Oliveira na comunidade Buriti Grande a 09 km de Pedro II, foi a mais nova família a conquistar uma horta sombreada para melhorar sua produção, economizando água e tempo de trabalho. Há três anos o Centro de Formação Mandacaru acompanha a família agricultora na assessoria técnica e apoio na produção agroecológica. A construção da horta se deu pelo sistema de mutirão entre os técnicos do Mandacaru e a família que agora tem um motivo a mais para comemorar já que o sistema de produção traz vários benefícios para a família.

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