Profetas e Profetisas da Chuva de Pedro II se reencontram

Foi realizado na manhã desta sexta feira dia 05 de julho a segunda edição do “Café e Proza com os Profetas e Profetisas da Chuva de Pedro II. Uma realização do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II. Este ano o evento contou com a participação de alguns convidados muito especiais, entre eles, uma comitiva do Ceará, coordenada pelo Helder Cortez, idealizador do movimento dos Profetas na cidade de Quixadá, no Ceará. Esteve presente também como convidados o meteorologista Werton Costa e cineasta Jairo Araújo de Teresina. Os convidados vieram especialmente para esse momento de pura sabedoria de nossos agricultores/as.

O evento aconteceu no Memorial Tertuliano Brandão Filho, centro da cidade. Tendo início inclusive com o Café e uma boa proza entre os participantes. O evento contou ainda com mesa de honra e depoimentos importantes dos profetas e profetisas que vieram prestigiar esse evento que é todo deles.

O convidado especial do Ceará Helder Cortez fez uma apresentação sobre o Encontro dos Profetas da Chuva do Ceará. O evento é bem falado e famoso em todo o Brasil, tendo inclusive vários livros, filmes e documentários lançados sobre o evento que acontece uma vez por ano, no segundo sábado de janeiro. Em 2024 foi realizado a 24ª edição do encontro lá no Ceará. Em sua fala, Helder Cortez fez uma apresentação onde destacou os objetivos do evento de Quixadá e também explicou sobre o Jardim dos Profetas, que é uma homenagem a todos aqueles e aquelas sábias pessoas que já participaram do movimento, mas que atualmente já partiram para vida celestial.

Werton Costa fez uma fala onde destacou que a ciência e a sabedoria popular precisam andar juntas. Disse também que não há uma concorrência entre as partes para saber quem acerta mais nas previsões das chuvas, mas sim uma sintonia entre sabedoria e tecnologia para melhor compreender os sinais da Natureza.

Este ano o Café e Prosa com os Profetas e Profetisas da Chuva trouxe ainda mais uma novidade, que são os jovens aprendizes e seus padrinhos. Onde pessoas mais jovens escolherem nesse evento um profeta mais experiente para a partir de agora ser seu mestre padrinho e assim um repassar para o outro seus ensinamentos de mestre.

Comunidade celebra sua colheita com muita fartura

O assentamento Pedra Branca a 18 km de Pedro II, celebra sua padroeira Nossa Senhora de Fátima no mês mariano. E dentro desta festa religiosa a comunidade realiza também a Celebração da Colheita em agradecimento a Deus pelo alimento colhido neste inverno. A festa celebrativa deste ano ocorreu na noite de sábado dia 10 de maio e contou com a presença de outras comunidades da região, como São Braz, Arara entre outras, e também de representações de organizações sociais de Pedro II como o Centro de Formação Mandacaru, a Fundação Santa Ângela, CERAC e Sindicato Rural.

Nesta data, as famílias da comunidade se organizam para uma grande partilha comunitária, onde cada família traz um pouco de alimento preparado em casa para ser servido a todos no final da celebração. Por inciativa própria algumas famílias de outras comunidades convidadas também trazem alimentos para partilhar nesse mesmo espaço. O que gera no final uma grande confraternização e muita fartura.

Os principais alimentos colocados na mesa da partilha vem da produção do ano na agricultura familiar como milho verde, macaxeira, abobora e muitas opções em comidas típicas como arroz, galinha caipira, bode, bolos e sucos de frutas.

O agricultor Pedro, morador da comunidade e integrante da organização do evento disse que esse é um momento muito especial para a comunidade, pois ali é possível agradecer a Deus pelo o alimento colhido com o inverno e também a oportunidade da comunidade realizar uma grande partilha em alimentos e poder acolher com alegria os visitantes que ali chegam para participar desse momento de celebração.  

Realizada Feira da Fartura, o cento de alimentação saudável em Pedro II

A manhã desta terça feira dia 26 março amanheceu com a Praça do Mutirão em Pedro II bem movimentada já cedinho da manhã. Naquele espaço uma grande quantidade de produtos agroecológicos vindo diretamente dos quintais produtivos das comunidades. Toda essa movimentação foi promovida pela realização da Feira da Fartura que reúne geração de renda para as famílias produtoras e promove saúde para as famílias consumidoras, já que ali todos os produtos disponibilizados são agroecológicos.

Esse ano a feira reuniu 19 famílias vendedoras de diferentes regiões de Pedro II, incluindo as 08 famílias que vendem semanalmente naquele espaço. Segundo relato das famílias vendedoras, o evento foi muito bom do ponto de vista comercialização, pois algumas venderam tudo que trouxeram e o que sobrou das demais famílias foi bem pouco. Para Raimundo Nonato, o Nonatinho, um dos clientes presente na feira, disse que se sente bem nesse espaço porque ele pode comprar produtos agroecológicos que atualmente ele não tem como cultivar em seu quintal, por conta de morar na cidade. Para Irmã Gabriela, integrante de uma das bancas na feira, falou também que esse é um espaço muito especial, pois as pessoas ficam animadas, podem conversar, reencontrar amigos e podem também levar pra casa alimentos da roça sem venenos.

A Feira da Fartura que acontece sempre na terça feira da Semana Santa tem a realização do Centro de Formação Mandacaru e organização das famílias agricultoras que cultivam seus quintais agroecológicos. A feira tem o apoio na mobilização e divulgação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pedro II e Matões FM.

Setor de Apoio a Agricultura Familiar constrói calendário de atividades com a presença de agricultores

Com o objetivo de manter um calendário alinhado com as atividades das famílias agricultoras, o setor de apoio a agricultura familiar do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II realizou na sexta feira dia 19 na Ecoescola Thomas a Kempis, um encontro de planejamento com a presença das famílias acompanhadas pelo setor. A programação foi dividida em dois momentos. Na parte da manhã a programação contemplou uma roda de conversa com o professor Flávio Crespo do Instituto Federal do Piauí – IFPI campus Cocal, onde teve como tema central a produção agroecológica dos quintais familiares. A tarde o setor ouviu dos agricultores sobre suas necessidades e demandas para o acompanhamento do Mandacaru este ano, entre as demandas está a realização de intercâmbios entre as famílias para a troca de experiências entre elas e continuidade da assessoria técnica na produção e comercialização de produtos agroecológicos.

Na parte da manhã durante a roda de conversa com o professor Flávio Crespo, ficou visível que os produtores ainda tem muita dificuldade de avaliar o que cada produto custa para ser produzido em seu quintal. Por exemplo, um pé de alface, quanto custa para ser produzido desde compra da semente para seu plantio até a colheita? Por isso, uma metodologia que o Mandacaru também deverá está motivando os agricultores a utilizarem este ano é a caderneta agroecológica, ferramenta muito valiosa para quantificar despesas e investimentos na produção dos quintais produtivos.

Ao término do encontro de planejamento ficou acertada também a continuidade da assessoria técnica através de visitas as famílias a cada 15 dias.

Realizado o 16º Encontro dos Profetas e Profetisas da Chuva

Um dos primeiros eventos do ano a ser realizado no calendário de atividades do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II, região norte do Piauí é o Encontro dos Profetas e Profetisas da Chuva, evento que reúne uma rica sabedoria popular do povo das comunidades. Este ano o movimento chegou a sua 16ª edição, mantendo vivo o ato e gesto de agricultores/as apresentarem o que eles e elas observaram na natureza nos sinais que indicam chuva no Semiárido. É um momento também em que marca o encontro de diferentes gerações com o objetivo principal de motivar os mais jovens a darem continuidade a essa sabedoria cada vez mais ameaçada de ficar para trás.

Este ano a organização fez a opção de realizar o evento por todo o dia, assim foi possível incluir novas sabedorias para serem apresentadas, como por exemplo, a roda de conversa entre as mulheres rezadeiras e parteiras. Espaço onde relataram a dificuldade de encontrar as parteiras em noites escuras do interior há 40 e 50 anos atrás, apresentaram a cura de doenças através da reza de sábias mulheres entre outros relatos, mostraram os remédios caseiros dado as crianças recém nascidas entre outros.

A comunidade Gameleira, situada a 10 km de Pedro II foi o local escolhido para a realização do evento este ano. A escolha do lugar não foi por acaso, além da comunidade ser bem organizada através da sua associação comunitária, tem uma escola bíblica acompanhada pelo Mandacaru e próximo dali também tem a nascente do Rio dos Matos, um dos principais rios que nasce em Pedro II e deságua no Rio Longá.

Além das pessoas da comunidade, o evento contou com a presença de populares de mais quatro comunidades da região. Ao todo foram quase 80 pessoas presentes no encontro dos profetas este ano. Presença especial também da escritora Lúcia Ana Melo e da parceira do movimento há vários anos, a socióloga Ivanilda Amaral. Nove profetas e profetisas se apresentaram no evento, trazendo suas observações da natureza. Na grande maioria foi observado que as previsões de chuvas este ano nesta região ficarão abaixo da média. Alguns dos profetas relataram ser um ano bom para a produção de feijão.

A programação trouxe também algumas novidades como a feira com produtos de artesanato e culinária local, teve um forró pé de serra bem original do lugar e teve sorteio de brindes também com um livro da escritora Lúcia Ana Melo. Obra literária que narra as riquezas vividas pela escritora e seus irmãos durante a sua infância na propriedade rural de família;

O Encontro dos Profetas e Profetisas da Chuva tem a realização do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II. Ele acontece uma vez por ano, quase sempre após a primeira lua cheia de janeiro. Este ano, não foi possível na data porque a lua cheia acontece só no final de janeiro. Também a cada edição é escolhido um novo local para sua realização, quase sempre a propriedade de uma família agricultora com experiência em produção agroecológica ou uma comunidade com experiência de organização comunitária. Assim é possível as pessoas do lugar também apresentarem no evento suas experiências locais.