Feira dos Saberes e Sabores celebra quatro anos

Ela chegou e pegou no sabor da população consumidora de produtos agroecológicos. Estamos falando da Feira Agroecológica dos Saberes e Sabores de Pedro II que celebrou seu aniversário de quatro anos na manhã desta terça feira dia 25 de julho. Quando foi aberta ao público no dia 23 de julho de 2019, não se tinha certeza da sua sustentabilidade naquele momento, afinal, era algo novo em Pedro II. Até então, não havia um espaço com a venda semanal de produtos agroecológicos vindos diretamente dos quintais produtivos. Porém, ela era fruto de outra feira que o Mandacaru já vinha organizando há quase 10 anos, a Feira da Fartura, realizada uma vez por ano. Portanto essa seria uma espécie de filha, ou inspiração da outra. Quatro anos depois, é possível observar que a Feira Agroecológica não somente conquistou clientes fieis, como também se tornou referência para outras feiras nesse formato em Pedro II e municípios vizinhos.

A programação de aniversário desta terça dia 25, contou com um café partilhado, chamado de “Café sabor da roça”, ofertado pelas famílias que vendem no local. Para animar a festa teve também uma forró pé de serra ao vivo das 06 até as 08 hs da manhã.

Ao longo desses anos a Feira dos Saberes e Sabores passou por momentos de alegria, mas também por períodos de desafios. Isso porque, um ano após seu funcionamento, entrou a pandemia com o isolamento social. Foram quase 08 meses sem sua realização. Naquele momento não havia uma certeza se a feira voltaria. Porém, é importante ressaltar que nesses quatro anos, a feira passou por muitas alegrias quando foi possível perceber o agricultor vender semanalmente seu produto direto ao consumidor, gerando uma renda melhor. Perceber também as pessoas poder comprar e levar para casa produtos agroecológicos, portanto saudáveis.

Quatro anos depois, famílias produtores, consumidores, parceiros e o Centro de Formação Mandacaru tem uma certeza: A Feira deu certo, por isso sobram motivos para a celebração.

Organizações comunitárias recebem formação sobre gestão em projetos

O Instituto Sociedade, População e Natureza – ISPN esteve em Pedro II nos dias 20, 21 e 22 de junho ministrando oficina onde teve como tema central os caminhos de uma boa gestão nos projetos comunitários. O evento destacou o passo a passo para o sucesso na execução dos projetos que as associações comunitárias do Alto Poti tiveram êxitos no edital que o ISPN lançou para a esta paisagem no início do ano. A oficina faz parte do calendário de eventos de formação para essas organizações.

Participaram da oficina 11 organizações, sendo duas pessoas representantes de cada associação. Dentro da programação foi possível às pessoas trocarem experiências e informações sobre os projetos aprovados, receberam orientações de como realizar a prestar contas e o papel de cada uma na região. Foi encerrada com a perspectiva de formação de uma rede para articulação com a inclusão de outras entidades, para assim se fortalecerem e ampliarem seus produtos e projetos no território da Paisagem do Alto Poti Piauí.

O Centro de Formação Mandacaru é parceiro âncora entre o ISPN e as organizações locais e tem o papel de articular, assessorar e fortalecer as associações na execução de suas propostas e ações dentro desses projetos. Os 11 pequenos projetos têm como objetivo central fortalecer as organizações comunitárias da região, apoiando atividades socioambientais dentro da paisagem do Alto Poti nos municípios de Pedro II, Milton Brandão e Juazeiro do Piauí.

Esses projetos já aprovados via editais pertencem ao Programa de Paisagens Produtivas Ecossociais – PPP Ecos do ISPN com o apoio do GEF – Fundo Global para o Meio Ambiente. Entre as propostas aprovadas para execução nos próximos dois anos têm o fortalecimento e produção de sementes nativas, a produção de mel e preservação das abelhas com ferrão, fortalecimento dos quintais produtivos e construção de cisternas para a captação de água da chuva para o consumo humano.

Celebração da colheita promove fartura e coletividade

Agradecer a Deus os frutos recebidos, assim é possível perceber a essência da fé das famílias agricultoras do Assentamento Pedra Branca e região. Já são quase 10 anos em que a comunidade celebra sua colheita todo ano. Evento que ocorre dentro da programação dos festejos de sua padroeira, Nossa Senhora de Fátima. Uma noite em que todas as famílias se reúnem e convidam várias outras comunidades da região para o movimento social, onde após a celebração e leilão, todos partilham, ali mesmo em frente a capela da comunidade, um farto jantar com produtos da agricultura familiar. Tudo em agradecimentos a Deus pelos frutos recebidos na colheita, após o fim do inverno. Este ano o evento foi celebrado no sábado dia 06 de maio, dentro da programação dos Festejos da comunidade.

Uma festa que tem aumentado a cada ano, em animação, participação de organizações e pessoas de outras localidades presentes. Aumento também na quantidade de joias do leilão social e na quantidade de comida ofertada pela comunidade e pelos convidados que também trazem seu alimento para partilharem.

Uma festa que traz muito forte o gesto da coletividade, a ação comunitária e a partilha entre as famílias agricultoras. Quem vem pela primeira vez, volta pra casa já confirmando que estará presente novamente no ano seguinte.

O Centro de Formação Mandacaru tem apoiado a festa da comunidade desde a sua primeira edição, sendo inclusive responsável pela celebração da novena na noite.

A Festa da Colheita tem promovido a motivação da coletividade, a segurança alimentar, o cultivo de produtos agroecológicos no quintal e roçado, além de gerar muita fartura na mesa.

Intercâmbio promove conhecimentos e troca de saberes entre agricultores

Um intercâmbio promovido pelo Projeto Implantação de quintais produtivos através de sistemas agroecológicos para agricultores familiares realizado no ultimo dia 10 de março promoveu além do conhecimento popular, a troca de saberes entre as famílias agricultoras participantes. O evento aconteceu no quintal agroecológico Mirante da família Cláudio Rodrigues e Luciene na localidade São João a 10 km de Pedro II.

Na oportunidade, Cláudio apresentou toda a área de produção, as variedades cultivadas no quintal e também os principais desafios encontrados para produzir as hortaliças e fruteiras. O agricultor mostrou ainda as vantagens de se ter um bom planejamento para cada cultura ali cultivada;

Após o passeio por dentro do quintal, os participantes se reuniram numa roda de conversas para trocarem experiências uns com os outros, pois ali, todos os participantes do intercâmbio são beneficiados pelo projeto financiado pelo Fundo Estadual de Combate à Pobreza – FECOP. Durante a troca de saberes, cada um teve a oportunidade de contar sua história e como o quintal produtivo de sua casa tem gerado alimentos para a família e gerar renda já que, quase todos ali comercializam os produtos para seus vizinhos ou suas comunidades.

“Aqui eu pude observar o terreno muito diferente do nosso em casa, mas que produz tão bem quanto o nosso quintal”. Disse João da Silva da comunidade Palmeira dos Ferreiras. “Nesse intercâmbio nós podemos conversar e dividir nossas experiências sobre produção e comercialização, as estratégias de vendas, além de aprender a produzir melhor e mais saudável”. Afirmou dona Zenaide da comunidade Vereda, município de Milton Brandão.

Além de gerar segurança alimentar, o projeto Implantação de quintais produtivos através de sistemas agroecológicos para agricultores familiares possibilita outras famílias da comunidade terem acesso a produtos saudáveis cultivados nesses quintais presentes nos municípios de Pedro II e Milton Brandão. Uma ação desenvolvida pelo Centro de Formação Mandacaru com o apoio do FECOP através da Secretaria de Assistência Social e Cidadania do Estado do Piauí – SASC.

Inverno de 2023 deve ser abaixo da média e bem irregular na região de Pedro II

Segundo a sabedoria popular de agricultores e agricultoras da região de Pedro II as chuvas este ano devem ocorrer abaixo da média e com baste irregularidades na região de Pedro II. As previsões foram apresentadas no ultimo sábado, (07) durante a realização do XV Encontro de Profetas da Chuva de Pedro II, o evento teve início às duas da tarde com duração quatro horas e aconteceu no Laguna Clube, bairro Boa Esperança.

Cada profeta que fazia uso da palavra para trazer sua leitura da natureza apontava indícios de que segundo os sinais dos pequenos animais e das plantas, as chuvas não serão intensas e com pouca duração. A previsão indica chuvas leves ou mesmo que ocorra chuvas fortes, tendem a passar longos tempos sem chover, o que geraria a irregularidades. Segundo seu Zé Inácio, experiente profeta da comunidade Cachoeira Grande, disse durante no evento que observou “os soldadinhos”, pequenos gafanhotos aparecendo já em dezembro, o que segundo ele não é natural. “Eles só costumam aparecer no final do período chuvoso, ou seja, entre abril e maio”, disse.

Mesmo mostrando uma forte tendência de chuvas abaixo da média para 2023, uma apresentação da Adeodata dos Anjos realizada nesse mesmo evento, mostrou através de anotações feitas nos últimos 20 anos que o volume de chuvas nesta região costuma atingir entre 700 e 1.100mm por ano, o que também aponta  uma perspectiva positiva do ano de 2023 também ter boas chuvas, talvez também distantes umas das outras, o que comprovaria a previsão dos profetas de inverno irregular.