No sorriso do olhar a vitória da Agricultura Familiar

O ano chega de 2011 chega ao fim com a certeza da vida continuar com o ano se que se aproxima. Dano uma rápida olhada para trás é possível ver as marcas deixadas na história que provavelmente o vento tratará de apagar. Com certeza irá apagar o que foi superficial, porque as realizações concretas nem mesmo as memórias mais frágeis conseguirão deixar escapar de sua caixa tal lembrança.

O ano de 2011 foi marcante em muitos momentos e algumas dessas marcas ficarão na memória de muitos. Foi o ano de 20 anos desta Entidade que luta incansavelmente por uma vida digna no semiárido. Foi um ano difícil porém vitorioso e isso ficou muito evidente no sorriso das famílias que tiveram seus/as filhos/as concluindo seus estudos na Ecoescola ou Asa Branca, a alegria do acesso a terra no Assentamento Acero do Fogo, da cisterna conquistada pelas famílias entre elas da Lapa e Marinheiro. Bom, são muitas conquistas que a alegria não surge apenas no rosto, mas também no olhar da criança, do jovem, da mãe, do pai e tantas outras pessoas. Em todos estes ambientes uma vitória da Agricultura Familiar mesmo que singela, mas importante. Mas como vitória na Agricultura Familiar? Explicamos, o Mandacaru continua firme e enquanto continuar firme, haverá luta por qualidade de vida no nosso semiárido e um dos pontos concretos de se alcançar essa qualidade é através da agricultura familiar sem venenos nos alimentos, sem desmatamentos, sem queimadas.

VIVA 2012 com muita alegria e paz.

Votos do Centro de Formação Mandacaru de Pedro II a todos/as seus/as leitores/as.

ASA reúne mais de 15 mil pessoas

O ato público realizada pela Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA reuniu mais de 15 mil pessoas em Petrolina – Pernambuco. O Centro de Formação Mandacaru enviou 10 pessoas ao evento. Só não foram mais por falta de vagas nos transportes.

O ato foi articulado para manifestação contra o gesto do Governo Federal em demonstrar o não interesse de renovar o apoio aos projetos desenvolvidos pela ASA o que iria gerar um enorme prejuízo na articulação, mobilização e fortalecimento de nosso povo em busca de políticas públicas para o nordeste brasileiro.

O evento foi considerado pela organização como uma prova de força deste povo acostumado a lutar pela forma de viver que liberta. Desta manifestação nasceram bons frutos, entre eles o gesto do governo chamar a Asa para uma reunião onde foi acertado a assinatura de apoio aos programas executados pela ASA até março com perspectivas de continuidade em 2012.

Neste contexto os programas de convivência com o semiárido vão continuar sendo executado pelo próprio povo que vive e trabalha nesta terra onde corre leito e mel e colhe água de qualidade da chuva que cai do céu.

 

Agricultura Familiar permanecerá em destaque nos trabalhos do Mandacaru em 2012

O Centro de Formação Mandacaru de Pedro II esteve reunido nos dias 20, 21 e 22 deste mês para avaliação e planejamento dos trabalhos da Entidade. Durante estes dias foram analisados os murmúrios, saberes e sabores dos trabalhos desenvolvidos no ano de 2011.

Na oportunidade foi avaliado também a participação da Entidade em outros eventos como conselhos, oficinas, cursos entre outros bem como as prioridades nestas áreas para 2012.

No planejamento funcionários(as) discutiram e reafirmaram o eixo central das ações da Entidade para ao no vindouro. Ficou acertado que a Agricultura Familiar permanecerá como principal pano de fundo nas atividades da Entidade. A partir do tema citado todos os setores do Mandacaru estarão desenvolvendo suas atividades tendo como referência central a Agricultura Familiar sistematizada à saúde, meio ambiente, acesso a terra e água.

A pauta finanças foi também bastante discutida. Os setores estarão realizando algumas atividades no ano cujo objetivo será angariar fundos e assim contribuir nas despesas do Mandacaru. O aumento no custo de vida nos últimos tempos tem apertado o andamento dos projetos sociais e ambientais desenvolvidos pela Entidade. A ausência de algumas parcerias como por exemplo, com o Estado tem deixado sensível as finanças, sendo necessário buscar outras.

Ao término da avaliação, todos(as) se confraternizaram com um delicioso café já em clima de Natal.

 

Nota do Mandacaru enviada a Imprensa de Pedro II

Um presente de Natal para o Semiárido de sabor amargo

O movimento de Mobilização Social para o Semiárido Brasileiro teve nos últimos dias um presente nada digestivo pelo sabor amargo gerado na água de beber. Tudo por conta das ações do Governo Federal que com a desculpa de agilidade de metas pretende adotar uma nova forma de construir cisternas no semiárido brasileiro. Nestes objetivos o governo pretende construir cisternas de plástico PVC com a desculpa de maior agilidade na construção de cisternas no Semiárido.

Após oito anos de parceria com o Governo Lula, a decisão do governo federal, expressa pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), de não mais renovar os Termos de Parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), pode levar ao fim uma das ações mais consistentes de garantia de água para as famílias do meio rural semiárido: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Sem dúvida o maior programa com apoio governamental de distribuição de água e cidadania, em uma região onde antes só existia fome, miséria e a indústria da seca.

O P1MC, premiado até pela Organização das Nações Unidas (ONU), gestado e executado pela ASA (rede de organizações da sociedade civil), já beneficiou diretamente mais de dois milhões de pessoas, em 1.076 municípios, a partir da construção de quase 372 mil cisternas de placas, envolvendo 12 mil pedreiros e pedreiras. Os resultados são tão expressivos que a construção de cisternas se configura como a principal proposta do Programa Água para Todos.

A argumentação é que a partir de agora o governo federal vai priorizar a execução do Programa, que integra o Plano Brasil Sem Miséria, apenas via municípios e estados, excluindo a sociedade civil organizada. A sugestão dada pelo MDS é que a ASA negocie sua ação em cada um dos estados contemplados. Para além da parceria com estados e municípios, o governo também anuncia a compra de milhares de cisternas de plástico/PVC de empresas que começam a se instalar na região. Ou seja, o governo não apenas rompe com a ASA, mas amplia a estratégia de repasse de recursos públicos para as empresas privadas.

A Coordenação Executiva da ASA, em documento divulgado, expressou seu posicionamento diante das medidas tomadas pelo Governo Federal considerando um retrocesso, o que pode gerar um retorno claro e nítido a velhas práticas da indústria da seca, onde as famílias são colocadas novamente como reféns de políticos e empresas, tirando-lhes o direito de construírem sua história. É também uma tentativa de anular a história de luta e mobilização no Semiárido, devido à incapacidade do próprio governo em atuar com as ONGs, sem separar o joio do trigo, e não ter, até hoje, construído um marco regulatório para o setor, uma das promessas de campanha da presidenta Dilma.

As ações da ASA não são reconhecidas apenas no Brasil, que renderam uma dezena de prêmios, a exemplo do Prêmio Direitos Humanos – categoria Enfrentamento à Pobreza, promovido pelo próprio governo federal e entregue pelo então presidente Lula, no final do ano passado, mas também internacionalmente, como referência de gestão e inclusão social no campo do acesso à água e do direito à segurança alimentar e nutricional das famílias carentes do Semiárido (ONU).

Com esse novo jeito de construir cisterna no semiárido através da cisterna de plástico implantado pelo governo, todo o processo de liberdade do povo estará comprometido. Entenda por quê

Pelo sistema de trabalho da ASA a cisterna de cimento do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o semiárido é construída pela família, o pedreiro e todo o material utilizado é comprado no comércio local, gerando renda à região. Já a cisterna de plástico PVC será construída por grandes empresas, todo o processo é vindo de outros locais, favorecendo o capital privado e deixando o povo na velha dependência das empresas.

De imediato, as cisternas de plásticos/PVC excluem as famílias do processo participativo, retiram delas a cidadania, pois já são entregues prontas pelas as empresas, todos os recursos são repassados às grandes empreiteiras com um custo superior ao dobro das cisternas feitas de Placas, com a renda concentrada nas mãos dos empresários.

Já as Cisternas de Placas que captam a água de chuva a partir do telhado, tem a água como direito e não beneficio, a água integra a segurança alimentar e nutricional, é construídas pelos os agricultores das comunidades rurais, tem baixo custo, fortalece a economia local, gera renda para pedreiros, pequenos comércios as famílias participam do processo de escolhas de quem vai conquistar, todas as famílias são capacitadas e essas famílias são donas da tecnologia.

Na cisterna de cimento todo o processo de mobilização é compartilhado entre a sociedade organizada, gerando renda no comércio local e formação às famílias da comunidade. Na cisterna de plástico todo o processo é de domínio das grandes Empresas, sem a participação da comunidade.

Pelo sistema de trabalho da ASA através da cisterna de cimento, os municípios formam as comissões municipais com representantes da sociedade civil local. Essas comissões decidem dentro dos critérios do programa as famílias a serem beneficiadas num processo bem democrático. No modelo cisterna de plástico isso não é claro e pode se tornar um monopólio de interesse político partidário. Por essa e muitas outras razões as Entidades que formam a ASA são contra.

Pelo modelo de trabalho da ASA as tecnologias aplicadas nos programas geram estocagem de conhecimentos, valores culturais, liberdade na capacidade de fazer e construir idéias. No modelo cisterna de plástico toda a tecnologia é de propriedade das grandes Empresas. Onde fica a autonomia e liberdade da família?.

Nós que formamos a sociedade civil organizada entendemos que não se trata

apenas de construir cisternas mais sim de conquistar liberdade pelo jeito de fazer, de buscar, de lutar e participar. Tudo isso está contemplado através dos Programas da ASA. Mas em se concretizar o plano do Governo de construir cisternas de plástico, ou na verdade um tanque de plástico que virá a ser construído por uma empresa de fora, sem a participação da família, sem gerar renda na comunidade. As velhas práticas politiqueiras do Nordeste de trocar voto por água estará de volta com força total.

A ASA já provou por A mais B que o Programa de Formação e Mobilização para a Convivência com o Semiárido é viável e concreto na busca de liberdade para um povo que foi muitos anos acusados de forma injusta de incapazes.

A ASA fez hoje dia 20 de dezembro uma manifestação em Petrolina (PE), para protestar contra a ameaça da não continuidade dos Programas da ASA e para denunciar que a sociedade civil organizada está sendo excluída do governo de Dilma Rousseff.

Milhares de pessoas do semiárido de diferentes estados nordestinos, inclusive aqui de Pedro II estão em Petrolina por todo o dia de hoje com o objetivo de alertar o país para uma possível volta às velhas práticas do passado, quando a indústria da seca era a única coisa que vicejava no semiárido brasileiro e qualquer arremedo de solução era usado como moeda eleitoral.

O rompimento da parceria com a ASA é anunciado no momento em que a opinião pública está predisposta a considerar qualquer ONG fraudulenta. Como foram denunciados muitos “malfeitos” nos convênios entre algumas organizações não governamentais e ministros demitidos, não há melhor hora para romper com a sociedade civil organizada. E fazer parecer que as ações são um esforço de moralização dos recursos públicos. Esquece-se – talvez por conveniência – que o surgimento das ONGs é resultado direto da redemocratização do país. E também que uma parcela significativa delas não apenas é honesta, como tem operado uma grande transformação nas relações e nos resultados em várias áreas cruciais.

A sociedade civil organizada tem – e para parte dos políticos é aí que mora o incômodo – impedido que as verbas públicas sejam interceptadas e manipuladas por grupos instalados em setores estratégicos. E assim, impedido governos, em todos os níveis, de agradar aliados com a possibilidade de administrar uma parcela polpuda das verbas públicas. É claro que há ONGs corruptas, que se aliaram a políticos corruptos, para lucrar com o dinheiro do povo. Mas demonizar todas elas é uma esperteza de quem está doido para voltar ao modelo antigo – e é também má fé e desrespeito com o avanço conquistado pela sociedade brasileira nas últimas décadas.

Em novembro, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretária-Geral da Presidência da República, afirmou que o governo separaria “o joio do trigo”. Disse mais: “As organizações sérias não têm nada a temer”. Pesquisei, então, em que lugar se situa a ASA na paisagem da sociedade civil organizada. Descobri que, na opinião do governo federal, a ASA é “trigo” da melhor qualidade.

Aqui de Pedro II foi um ônibus com 50 pessoas de várias entidades da cidade como também famílias, representantes da comissão entre outras para somar força neste ato de manifestação.

Em entrevista a jornalista Eliane Brum na Revista Capital desta semana o Coordenador Nacional da ASA Naidison Baptista disse o seguinte:

“O governo rompeu a parceria com a ASA. Mas os ladrões não estão no nosso meio”, afirma Naidison Baptista. “Nós não somos construtores de cisternas apenas, nós somos uma rede de organizações da sociedade civil que influencia na política para o semiárido como parte do processo democrático. Temos orgulho de ter pautado o governo federal para a construção de cisternas e de políticas de convivência. Se você voar hoje sobre o semiárido, vai ver os pontinhos brancos. São as cisternas. As pessoas não entram mais na fila da água em troca de voto. Cortamos a raiz do coronelismo do Nordeste. Então perguntamos: por quê?”.

A ASA atua usando o conhecimento da comunidade e estimulando que as pessoas se apropriem coletivamente do processo de construção de cada cisterna. É a comunidade que decide em conjunto quem vai receber a cisterna primeiro, a partir de critérios como pobreza, número de crianças e de idosos, se a mulher é a chefe de família etc. Cada família participa da construção da cisterna, que dura cerca de cinco ou seis dias, e fornece a água para a vizinha enquanto não chegar a vez dela. Para a construção é usada a mão de obra da cidade ou povoado e o material das lojas dos pequenos comerciantes, movimentando a economia local. É também a agricultura produzida em cada região que fornece a alimentação. Para a ASA, a implantação de uma cisterna é mais do que uma obra: é a construção de um espaço social de onde tem emergido novas lideranças e uma juventude ativa. Mudança socioeconômica e política importante em uma região historicamente dominada por oligarquias em que sempre coube aos sertanejos ou se submeter a algum “painho” – ainda que com pinta de moderno – ou migrar para o centro-sul. “A água estava concentrada na mão de poucos”, resume Baptista. “Com as cisternas, a água foi repartida.”

Nós que fazemos o Centro de Formação Mandacaru de Pedro II entendemos que caso o Governo Federal não concretize a continuidade de parceria com a Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA haverá uma grande injustiça, por isso estamos unidos as demais Entidades para lutar e não deixar essa injustiça acontecer.

Defendemos a continuidade dos Programas da ASA pois geram liberdade para nosso povo.

Fontes: Neto Santos, Sabrina Sousa e Eliane Brum

Pedro II, 20 de dezembro de 2011.

Coordenação Geral do Mandacaru

Asa Branca terá mais duas turmas no São Francisco

O setor Educação do Centro de Formação Mandacaru terá uma missão a mais no próximo ano. Isso devido a grande procura por vagas na Escolinha Asa Branca do bairro São Francisco. Tanto que mais duas turmas devem está funcionando em 2012. Se na Palmeira dos Soares não há mais o número ideal de crianças com idade de funcionar uma turma, no bairro São Francisco é o contrário, está sobrando crianças na procura por vagas, por isso o Mandacaru decidiu por abrir mais duas turmas naquele bairro.

As matrículas confirmaram isso e já está tudo planejado para mais crianças daquele bairro receberem uma educação infantil desenvolvida pelo Mandacaru em mais duas turmas. Em 2011 funcionaram duas turmas, agora devem funcionar quatro. Na Palmeira dos Soares não haverá funcionamento da turma da Professora Conceição em 2012 porque o número de crianças não dar pra formar uma turma. Por isso Escolinha Asa Branca deixa de funcionar na comunidade depois de 20 anos. A localidade Palmeira dos Soares vem apresentando um dado confirmado pelo IBGE em todo o país que é a redução do número de filhos pelas famílias brasileiras.