Comunidade celebra a Festa da Colheita

O inverno não foi bom e deve trazer ainda muitas conseqüências até o final do ano no tocante a produção de alimentos e manutenção de animais. A água vai ficar escassa em muitas regiões do Nordeste e não deverá ser diferente na região de Pedro II.

A grande lição cada vez mais concreta é de saber lhe dar com situações como esta. Muitas Instituições que trabalham ações onde visam a convivência com o semiárido tanto sabem que desenvolvem projetos alternativos de convivência com esse clima e realidade. É surpresa ver mais uma seca atingir o Nordeste? Entende-se que não. E porque não se prevenir e conviver com ela, é isso que estas organizações trabalham para mostrar ao sertanejo que isso é possível. Infelizmente ainda se percebe uma grande dificuldade das pessoas entenderem e abraçarem essa causa.

Mesmo diante dos desafios fica a lição de celebrar a alegria e a fé do sertão semiárido. Assim pensa a comunidade Cachoeira Grande. Mesmo diante de um inverno frágil a comunidade estar mostrando que a fé e a alegria é bem maior. Foi isso que aconteceu neste fim de semana. Mesmo diante de uma situação assim a comunidade realizou na no sábado (26) sua já tradicional Festa da Colheita, através de uma grande celebração às 07 da noite. “Se não celebramos uma boa produção, não devemos deixar de celebrar a vida, e a partilha de nosso povo”, falava uma das dirigentes na celebração.

Como o próprio nome diz foi uma bonita festa da comunidade que contou com a presença de várias comunidades vizinhas.

Convidados como o Mandacaru de Pedro II e o padre Paulo Sérgio da Paróquia de São José Operário também estiveram presentes.

Ao final os produtos na mesa doados pela comunidade são partilhados entre os presentes.

Este é o quarto ano em que a comunidade Cachoeira Grande realiza essa bonita festa. Este ano teve início com uma procissão e depois deu-se continuidade com a celebração na pracinha ao lado da capela.

Durante a celebração, houve também uma apresentação de dança com crianças da comunidade.

Líderes comunitários participam de intercâmbio

Representantes da diretoria da Associação de Moradores do Assentamento Veados dos Matias, região sertaneja de Pedro II, estiveram no Mandacaru na manhã desta segunda feira (28) para visitarem os projetos desenvolvidos pela Entidade na Ecoescola Thomas a kempis e Barro dos Lopes.

 

A visita faz parte da assessoria e intercâmbio existente entre as duas Instituições cujo objetivo é adquirir conhecimentos e experiências exitosas a serem construídas na área do Assentamento tendo em vista que muitas daquelas famílias tem o interesse de produzir de forma sustentável no assentamento.

A visita de seu Odilon, D. Alfa e D. Raimunda teve início pela Ecoescola. Lá as lideranças conheceram o processo de produção orgânica e o projeto inovador do sombrite, onde se pode produzir economizando água e mão de obra.

No segundo momento o grupo foi a localidade Barro dos Lopes verificar de perto a roça orgânica de seu Oliveira. Após ver e ouvir as vantagens da roça de seu Oliveira, seu Odilon, um dos visitantes afirmou que estará fazendo a experiência da roça em sua propriedade no assentamento.

O encontro de intercâmbio foi promovido pelo setor de Organização e Produção, através do Valmir Soares e da Rosinha Lima.

 

Entidade abre edital para seleção de pessoas

O Centro de Formação Mandacaru de Pedro II através da Unidade Gestora Microrregional – UGM está com edital aberto para seleção de funcionários/as para o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido da ASA Brasil que a Entidade executa nesta região.

As pessoas selecionadas estarão trabalhando no Programa Um Milhão de Cisternas Rurais – P1MC. É conferir, se inscrever e boa sorte.

O processo de apresentação de currículos, local, período, seleção entre outras informações estão disponíveis no Edital de Seleção no link abaixo:

clique aqui e confira o edital

Famílias se preparam para receberem suas casas em Assentamento

Seguindo um cronograma para aquisição de sua primeira terra, as famílias da localidade Cacimba da Onça se preparam agora para receber sua casa no Assentamento Acero do Fogo. O local já recebeu a energia, o poço tubular e nos próximos dias devem iniciar a construção das casas.

Todo o processo já em fase de conclusão e a expectativa é de que nos próximos meses as famílias já podem passar para sua casa própria dentro do Assentamento. “Eu não vejo a hora de ir para dentro de minha casa”, relatou Chaguinha, uma jovem mãe beneficiada no projeto.

O Assentamento Acero do Fogo possui 281 hectares de terra, está localizado na região da localidade Cacimba da Onça a 53 km de Pedro II e irá beneficiar 15 famílias daquela região e tem assessoria do setor Organização e Produção do Mandacaru

 

Sertão, desafios e insistências!

Por Adeodata dos Anjos

O sertão é um encanto, um milagre, uma louvação, um bioma conhecido como seco, no entanto, mas parece mais é com um paraíso. Faz muito bem a alma da gente contemplar a beleza exuberante dessa terra sagrada!

Nos dias 15 a 18 de maio aconteceu na roça do IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada) em Vagem da Cruz, Juazeiro, BA, o 13º Curso de Leitura Bíblica contextualizada com o Semiárido Nordestino. Foi interessante ver como é conduzida essa leitura bíblica por uma ONG que aposta na viabilidade do sertão.

O público predominante era de jovens, a maioria de escola família agrícola. O João Gnadlinger, assessor do seminário, procurou uma metodologia mais participativa com trabalhos em equipes fazendo com que os grupos fossem se apropriando do tema, “a sabedoria do povo na terra prometida” e foi utilizando materiais já produzidos pelo IRPAA como a cartilha que trata da busca da água no sertão. Cada dia um grupo de estudantes da Escola Agrícola de Juazeiro apresentava um resumo sobre um tipo de povo que ali predomina: os povos indígenas, cujo Deus é Tupã, os quilombolas com seu Deus Olorum e os povos de fundo de pasto com o Deus dos povos. Foi assim que eles se apresentaram e se identificaram religiosamente.

As cinco linhas de luta pela água

Na Bahia existe a lei do fundo de pasto e tem sido uma das causas mais comum da luta pela terra. É muito importante para os povos do semiárido viverem em uma comunidade onde se tem um terreno livre para os animais pastarem e conservarem pelo menos cinco tipos de água na comunidade. O IRPAA trabalha em sua metodologia as cinco linhas de luta pela água: 1-água para o consumo de cada família – mais indicada é a água de chuva; 2-água da comunidade – fornecida por tanques, barreiros, cacimbas ou poços; 3-água de produção – essa é guardada na própria terra, através de cobertura orgânica, composto, barragens subterrâneas e outros; 4-água de emergência – para ser usada na hora de maior necessidade na seca como barragens ou poço tubular, artesiano, chafariz; 5-água do meio ambiente – que vem das fontes que existem no meio: riachos, lagoas, brejos, poços e do próprio equilíbrio da caatinga. De acordo com a Cartilha “ A busca da água no sertão” (5ª Edição 2011 p.62,63), o meio ambiente fornece água para as necessidades dos seres humanos, mas parte dessa água deve ficar disponível para a conservação e o funcionamento adequado do ecossistema.

A sabedoria nasce da experiência

Durante o seminário essa realidade do sertão foi sendo conduzida através de temas como a sabedoria do povo da terra prometida e a sabedoria dos povos do sertão. O Livro dos provérbios e o sermão da montanha foram os textos mais utilizados para iluminar essa realidade. Todas as noites eram exibidos filmes sobre a realidade do semiárido, as lutas, as conquistas e foi quase um culto direcionado ao sertão.

O sertão está bem castigado pela seca. Ao mesmo tempo em que é lindo é desafiante viver no Sertão. Mas o povo insiste, persevera, é sabido, conhece, cria. Durante um momento de mística numa manhã ao ar livre o João apontou para o céu e disse: “Está nublado, isso significa que nos lugares que tem costume de chover nesse período do ano está chovendo agora”! No dia seguinte pela manhã caiu um chuvisco e uma senhora fez uma louvação a Deus agradecendo pela importância daquela chuvinha para a respiração das plantas da caatinga. É lindo observar a sabedoria popular adquirida pela convivência com o clima. É a Palavra de vida iluminada pela Palavra de Deus. Em Dt 32, 2 Moisés canta: “ Desça como a chuva a minha palavra, que se espalhe como orvalho como chuvisco sobre a relva… No sertão o povo canta ao Senhor pelo chuvisco que cai sobre a caatinga. A mesma canção se repete.

A insistência das ONGs

Mesmo diante de toda essa grandeza de sabedoria, muitas indagações vão surgindo e a pergunta que mais volta é: qual é o tempo que ainda sobra para se fazer a leitura dessa Palavra no meio das ONGs e no meio popular? É desafiante fazer opção por um trabalho bíblico, porque as ONGs precisam sobreviver e os projetos propostos pelo poder público são direcionados para determinados fins, seguidos de uma burocracia e tecnocracia que exigem o tempo integral deixando-as quase sem forças para a atuação em outros espaços urgentes na sociedade, nas comunidades. Diante dessa realidade desafiadora algumas ONGs ainda encontram força para ler a Bíblia. Em alguns momentos a gente chega a pensar e até se assusta, pois parece que se está fugindo da realidade cruel do mundo técnico-burocrático e brincando de se esconder da realidade ficando atrás de um texto bíblico. Do outro lado é ainda um sopro, um fio da voz profética que nos resta na esperança de que essa Palavra de vida e Palavra da Bíblia possa conservar os valores que ainda são sagrados no meio das populações menos favorecidas. Insistir é preciso.