Famílias se preparam para receberem suas casas em Assentamento

Seguindo um cronograma para aquisição de sua primeira terra, as famílias da localidade Cacimba da Onça se preparam agora para receber sua casa no Assentamento Acero do Fogo. O local já recebeu a energia, o poço tubular e nos próximos dias devem iniciar a construção das casas.

Todo o processo já em fase de conclusão e a expectativa é de que nos próximos meses as famílias já podem passar para sua casa própria dentro do Assentamento. “Eu não vejo a hora de ir para dentro de minha casa”, relatou Chaguinha, uma jovem mãe beneficiada no projeto.

O Assentamento Acero do Fogo possui 281 hectares de terra, está localizado na região da localidade Cacimba da Onça a 53 km de Pedro II e irá beneficiar 15 famílias daquela região e tem assessoria do setor Organização e Produção do Mandacaru

 

Sertão, desafios e insistências!

Por Adeodata dos Anjos

O sertão é um encanto, um milagre, uma louvação, um bioma conhecido como seco, no entanto, mas parece mais é com um paraíso. Faz muito bem a alma da gente contemplar a beleza exuberante dessa terra sagrada!

Nos dias 15 a 18 de maio aconteceu na roça do IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada) em Vagem da Cruz, Juazeiro, BA, o 13º Curso de Leitura Bíblica contextualizada com o Semiárido Nordestino. Foi interessante ver como é conduzida essa leitura bíblica por uma ONG que aposta na viabilidade do sertão.

O público predominante era de jovens, a maioria de escola família agrícola. O João Gnadlinger, assessor do seminário, procurou uma metodologia mais participativa com trabalhos em equipes fazendo com que os grupos fossem se apropriando do tema, “a sabedoria do povo na terra prometida” e foi utilizando materiais já produzidos pelo IRPAA como a cartilha que trata da busca da água no sertão. Cada dia um grupo de estudantes da Escola Agrícola de Juazeiro apresentava um resumo sobre um tipo de povo que ali predomina: os povos indígenas, cujo Deus é Tupã, os quilombolas com seu Deus Olorum e os povos de fundo de pasto com o Deus dos povos. Foi assim que eles se apresentaram e se identificaram religiosamente.

As cinco linhas de luta pela água

Na Bahia existe a lei do fundo de pasto e tem sido uma das causas mais comum da luta pela terra. É muito importante para os povos do semiárido viverem em uma comunidade onde se tem um terreno livre para os animais pastarem e conservarem pelo menos cinco tipos de água na comunidade. O IRPAA trabalha em sua metodologia as cinco linhas de luta pela água: 1-água para o consumo de cada família – mais indicada é a água de chuva; 2-água da comunidade – fornecida por tanques, barreiros, cacimbas ou poços; 3-água de produção – essa é guardada na própria terra, através de cobertura orgânica, composto, barragens subterrâneas e outros; 4-água de emergência – para ser usada na hora de maior necessidade na seca como barragens ou poço tubular, artesiano, chafariz; 5-água do meio ambiente – que vem das fontes que existem no meio: riachos, lagoas, brejos, poços e do próprio equilíbrio da caatinga. De acordo com a Cartilha “ A busca da água no sertão” (5ª Edição 2011 p.62,63), o meio ambiente fornece água para as necessidades dos seres humanos, mas parte dessa água deve ficar disponível para a conservação e o funcionamento adequado do ecossistema.

A sabedoria nasce da experiência

Durante o seminário essa realidade do sertão foi sendo conduzida através de temas como a sabedoria do povo da terra prometida e a sabedoria dos povos do sertão. O Livro dos provérbios e o sermão da montanha foram os textos mais utilizados para iluminar essa realidade. Todas as noites eram exibidos filmes sobre a realidade do semiárido, as lutas, as conquistas e foi quase um culto direcionado ao sertão.

O sertão está bem castigado pela seca. Ao mesmo tempo em que é lindo é desafiante viver no Sertão. Mas o povo insiste, persevera, é sabido, conhece, cria. Durante um momento de mística numa manhã ao ar livre o João apontou para o céu e disse: “Está nublado, isso significa que nos lugares que tem costume de chover nesse período do ano está chovendo agora”! No dia seguinte pela manhã caiu um chuvisco e uma senhora fez uma louvação a Deus agradecendo pela importância daquela chuvinha para a respiração das plantas da caatinga. É lindo observar a sabedoria popular adquirida pela convivência com o clima. É a Palavra de vida iluminada pela Palavra de Deus. Em Dt 32, 2 Moisés canta: “ Desça como a chuva a minha palavra, que se espalhe como orvalho como chuvisco sobre a relva… No sertão o povo canta ao Senhor pelo chuvisco que cai sobre a caatinga. A mesma canção se repete.

A insistência das ONGs

Mesmo diante de toda essa grandeza de sabedoria, muitas indagações vão surgindo e a pergunta que mais volta é: qual é o tempo que ainda sobra para se fazer a leitura dessa Palavra no meio das ONGs e no meio popular? É desafiante fazer opção por um trabalho bíblico, porque as ONGs precisam sobreviver e os projetos propostos pelo poder público são direcionados para determinados fins, seguidos de uma burocracia e tecnocracia que exigem o tempo integral deixando-as quase sem forças para a atuação em outros espaços urgentes na sociedade, nas comunidades. Diante dessa realidade desafiadora algumas ONGs ainda encontram força para ler a Bíblia. Em alguns momentos a gente chega a pensar e até se assusta, pois parece que se está fugindo da realidade cruel do mundo técnico-burocrático e brincando de se esconder da realidade ficando atrás de um texto bíblico. Do outro lado é ainda um sopro, um fio da voz profética que nos resta na esperança de que essa Palavra de vida e Palavra da Bíblia possa conservar os valores que ainda são sagrados no meio das populações menos favorecidas. Insistir é preciso.

Família recebe projeto piloto na área da produção orgânica

Assessorada desde 2009 a família de D. Isolete e Orlando Gomes na localidade Coitada (13 km de Pedro II) recebeu no último fim de semana a instalação do Projeto SOMBRITE.

Desenvolvido na Ecoescola desde o ano passado o projeto tem apresentado um resultado excelente, viável e econômico, onde se economiza principalmente tempo e água, além é claro da melhoria na produção da horta.

D. Isolete e sua família faz parte das cinco famílias acompanhadas pelo setor de Organização e Produção do Mandacaru na assessoria de hortas orgânicas da localidade que são comercializadas na região e em Pedro II. A assessoria do setor tem dois focos em destaque na comunidade. O primeiro é com essas ações gerar renda para as famílias com menos trabalho na produção. O segundo é fazer com que essas famílias produzam e consumam um alimento mais saudável.

Os trabalhos de construção do sombrite iniciaram na manhã de sábado (28) e terminaram domingo (29) ao meio dia. Toda a montagem foi coordenada pelo Técnico Robert Fontenele e os assessores do setor Valmir Soares e Rosinha Lima.

Neste primeiro momento por ser um projeto piloto apenas uma família vai produzir neste sistema, mas a idéia é que depois as outras famílias da comunidade também tenham sua produção nessa modalidade.

Setor de Organização realiza evento com Comunidade

Desenvolvendo um trabalho que visa fortalecer a organização comunitária e a renda familiar da Comunidade Centro dos Gomes, o setor de Organização e Produção do Mandacaru realizou no último fim de semana um leilão na comunidade, cujo objetivo é contribuir nas despesas das atividades comunitárias ali desenvolvidas. O evento aconteceu na noite de sábado (21) na capela da comunidade e contou com a presença de várias famílias inclusive de comunidades vizinhas.

A comunidade Centro dos Gomes é assessorada pelo Mandacaru num projeto de alimentos junto a CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Cinco famílias produzem e vendem alimentos da agricultura familiar para o programa CPR Doação da CONAB. Nesta primeira etapa com duração de quatro meses a comunidade vai está negociando um montante de mais de sete mil reais, o que vai dar uma boa renda as essas famílias.

Há sete anos o Mandacaru acompanha a comunidade com assessoria na busca de melhoria de vida para as famílias. O primeiro passo foi a criação da Associação de Moradores, depois vieram, cursos, cisternas e agora o projeto na geração de renda.

Mais de 30 agricultores/as devem disponibilizar produtos na Feira da Fartura

Com a aproximação do dia de realização da Feira da Fartura já é possível se obter o número de agricultores/as que devem trazer seus produtos da agricultura familiar pra vender no espaço. Estão sendo aguardados mais de 30 vendedores. A feira acontece na próxima terça feira dia 03 de abril, um dia antes da grande feira da semana santa, a chamada feira de Quarta feira Santa. Entre os vendedores está a Ecoescola que vai ter um espaço com cenouras e hortaliças orgânicas produzidas lá, pão caseiro, geléia e ovos caipiras entre outros.

A população da cidade parece estar aguardando esse momento, já foram várias pessoas nestes dias que falaram a nossa reportagem irem até lá pra comprar os produtos disponíveis na feira. O evento estar agendado pra começar às seis da manhã e irá até terminar os estoques. A expectativa é de que até as 10 da manhã já possa ter ido todo o estoque, pelos menos daqueles produtos mais procurados como ovos caipiras, cheiro verde, queijo e azeite de coco.

A expectativa também é de que a maior quantidade de produtos da agricultura familiar mais consumido na semana santa sejam também os mais procurados. Estão confirmados agricultores de várias regiões do município de Pedro II, de norte a sul.

A Feira da Fartura tem a realização do Centro de Formação Mandacaru. O objetivo deste evento é valorizar os produtos da agricultura familiar, incentivar o consumo de produtos orgânicos e gerar renda a família que produz esses produtos.